Memorial do Consumo

“O consumo serve para conviver”

A Conferência Magna do Comunicon 2016 – Congresso Internacional em Comunicação e Consumo, iniciativa anual do PPGCOM ESPM, contou com uma apresentação do antropólogo argentino Néstor García Canclini, da Universidad Autónoma Metropolitana (UNAM), do México.

Durante cerca de uma hora, Canclini brindou os participantes com observações sobre o tema “Do consumo ao acesso: velhos e jovens na comunicação”. Em sua participação, o pesquisador destacou as mudanças recentes que têm afetado a maneira das pessoas consumirem informação. “A mídia mudou. Não importa mais o que as pessoas consomem. Agora, o relevante é onde elas buscam”.

Para mostrar como esta maneira tem se alterado nos últimos anos, Canclini destacou a pesquisa “Hacia una antropología de los lectores”, publicada no final de 2015 pela Universidad Autónoma Metropolitana, em colaboração com o Editorial Planeta e apoio da Fundación Telefónica.

No primeiro capítulo do estudo, Canclini discute sobre as contribuições de pesquisas sobre leitura feitas no México, em comparação com alguns resultados de pesquisadas realizadas na Argentina, Brasil, Espanha e Estados Unidos. “Prestamos atenção em todas as maneiras de ler: nos livros impressos, em desktops, tablets, celulares e outros dispositivos”, explica o pesquisador.

Em sua fala, Canclini destacou a pesquisa realizada no Brasil em 2011 pelo Instituto Pró-Livro, que definiu como “leitor” aquele que leu, inteiro ou em partes, pelo menos 1 livro nos últimos 3 meses. E a internet se tornou uma ferramenta poderosa na leitura. “20% dos jovens entre 5 e 17 anos entrevistados acessam a internet todos os dias. Entre os 18 e 29 anos, o número sobre para 30%. A leitura, agora, tem um caráter social. O consumo serve para criar cidadania. Serve para conviver”, reforça. Para citar um exemplo disto, o pesquisador citou uma das entrevistadas da pesquisa: “Tienes 17 ventanas en la computadora, 3 libros abiertos, una llamada telefónica, la música sonando y el gato entrando… y te acostumbras: ya no es ruido sino lo cotidiano”.

Canclini lembrou que a leitura de livros está estagnada no México – e os livreiros se queixam das baixas vendas. Mas, por outro lado, as feiras de livros recebem mais visitantes a cada ano. “A Feira do Livro em Guadalajara contou com 612.474 mil pessoas em 2010. Em 2014, este número chegou a 767.200. A maioria dos visitantes são jovens – e mais da metade, compradores”.

Canclini também destacou a importância da nova ecologia comunicacional, traduzida pelas redes sociais, na Primavera Árabe, nos protestos no Chile em 2012, o movimento 15M, na Espanha e no Occupy Wall Streeet, por exemplo.

 

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Foto: Luciana Correa

 

SOBRE O AUTOR

é jornalista e mestrando do Programa de Pós-Graduação em Comunicação e Práticas do Consumo da ESPM-SP.