Memorial do Consumo

Meneghati: “se não tem propaganda, não tem consumo”

Fábio Meneghati editFábio Meneghati é COO  (chief operating officer) da Mood\TBWA desde setembro de 2016. Publicitário de formação, o executivo já atuou em agências do Grupo ABC, na Ag407 e no Grupo G/PAC, onde atendeu clientes como GVT (Vivo), HSBC, Volvo, Dr. Oetker, Philips, Shell, Porto Seguro, Brasil Kirin, Morumbi Shopping e Giraffas, entre outros. Meneghati é também diretor do GA (Grupo de Atendimento), onde é responsável pela integração regional da organização. No Paraná, é sócio-fundador do GPA-PR (Grupo de Atendimento e Planejamento), onde esteve no cargo de vice-presidente durante quatro anos. Para ele, “consumo é comunicação”. Confira o papo dele com a equipe do Memorial.

Memorial do Consumo: Quando você começou a se interessar por propaganda?
Meneghati: Logo na infância. Meu pai trabalhou no marketing do Banco do Brasil. Desde cedo tive contato com o mercado. Ainda no Ensino Médio, em Curitiba, pude optar por fazer técnico em propaganda, sendo esse outro motivo que me fez escolher a profissão ainda antes da universidade.

Memorial do Consumo: Qual a sua memória sobre publicidade e consumo na infância?
Meneghati: Várias marcas foram construídas por meio da propaganda. Na minha infância, assistia muitos programas na televisão. Lembro que era impactado pelas companhas do Banco Bamerindus (Poupança), Philco, Guaraná Antárctica, Havaianas e, claro, Parmalat!

Memorial do Consumo: E atualmente?
Meneghati: Hoje, sem dúvida, Itaú sempre está na lembrança. Mas, apesar de ser suspeito, as campanhas de Devassa são inesquecíveis na minha memória e revolucionaram o setor de cerveja.

Memorial do Consumo: Suas práticas de consumo ao longo da sua vida influenciam no seu trabalho?
Meneghati: Sim. Costumo ir bastante ao mercado, por exemplo. Ali, inevitavelmente, observo todas ações de ativação e live marketing. Observo, sou crítico, me inspiro. Acaba sendo uma experiência de trabalho também, não só de consumo. Também faço compras online desse que isso se tornou possível, há uns 15 anos. Passei a ser um consumidor no e-commerce e vivenciar essa experiência. Consigo me colocar no lugar do público-alvo de uma determinada ação ou campanha justamente por ter vivenciado isso desde o início como cliente.

Memorial do Consumo: E o quanto seu trabalho influencia as práticas de consumo do seu dia-a-dia?
Meneghati: Com certeza. Sou totalmente influenciado pela propaganda (risos). Atuo em campanhas de consumo, seja para serviço ou produto. Então, não posso fazer comunicação sem experimentar aquilo que vou vender. Por exemplo: se vou ao shopping, vou ao Morumbi Shopping. Meus televisores são Philips, minha seguradora é a Porto Seguro e por aí vai. Eu experimento tudo nos meus clientes, gosto e acabo me tornando consumidor dessas marcas também.

Memorial do Consumo: Como você se vê influenciando o consumo de uma família?
Meneghati: Temos um papel muito relevante nisso. Influenciamos a vida de uma família. O que mudou nesta equação foram os meios para influenciar esse consumo. Sei que já é batido, mas é preciso entender a jornada de consumo e trabalhar fortemente o digital como uma das ferramentas. Isso nos permite segmentar mensagens, customizar conteúdos para públicos específicos. Isso faz com que nosso trabalho ajude as pessoas a selecionar uma marca em detrimento de outra.

Memorial do Consumo: O que o consumo representa para você?
Meneghati: Consumo é desejo. E isso está diretamente relacionado à minha profissão. Se não tem propaganda, não tem consumo, pois a propaganda cria o desejo. Logo, consumo é comunicação.

SOBRE O AUTOR

é jornalista e mestrando do Programa de Pós-Graduação em Comunicação e Práticas do Consumo da ESPM-SP.