Memorial do Consumo

Cyrillo: “todos nos tornamos porta-vozes de marcas”

Caito Cyrillo _TRIOCaito Cyrillo, CEO da produtora full service Trio, já atuou na Mega Music (gravadora com selo da Universal), MCR e Ultrassom, produtoras de áudio publicitário e para entretenimento. Nos EUA, atuou em estúdios de Los Angeles. Já realizou trabalhos para anunciantes como Ambev, Burger King, Itaú, Walmart, P&G, Fiat e Vivo.

Memorial do Consumo: Quando você começou a se interessar por propaganda?
Caito Cyrillo: Desde criança sou viciado em ouvir rádio. Hoje este encanto talvez tenha passado um pouco, mas foi mais especificamente na faculdade onde comecei a entender a fundo a magia da propaganda e sentir seu imenso valor.

Memorial do Consumo: Qual a sua memória sobre publicidade e consumo na infância? E atualmente?
Cyrillo: Adorava ouvir os jingles na rádio e me encantava com aqueles que realmente pareciam mais composições de artistas do que voltadas, especificamente, às marcas. Bons exemplos são “Aquarela”, do Toquinho, feito para a Faber Castell e “Pizza”, dos meus amigos da MCR, feito para Guaraná Antártica. Com as mudanças culturais, não só de consumo, mas de seus meios, essas grandes canções acabam sendo substituídas por diferentes produtos, nos mais diversos meios de comunicação. Quem recentemente conseguiu reciclar a época de outro, foi a Coca Cola com “Taste the Feeling”, do Avicii.

Memorial do Consumo: Suas práticas de consumo ao longo da sua vida influenciam no seu trabalho? 
Cyrillo: Indo mais para o lado filosófico, acho que o ser humano é uma composição de diversos elementos – onde todos influenciam a nossa vida, seja a pessoal, amorosa ou profissional. Ou seja, uma pessoa que sempre gostou de consumir rádio, música ou entretenimento sonoro, de uma maneira mais geral, vai apresentar traços disto ao longo de sua vida, seja como, um hobby, um amador “expert” ou como um profissional.

Memorial do Consumo: O seu trabalho influencia suas práticas de consumo? Como você se vê influenciando o consumo de uma família? 
Cyrillo: Por trabalhar com publicidade, às vezes, é inevitável não entrar a fundo dentro da marca de um cliente e se tornar um porta-voz dela, a todos ao seu redor, incluindo a família, nem que seja por um período determinado. Sou totalmente partidário que não se deve levar assuntos de casa para o trabalho e vice-versa, mas acho que essa é a única exceção que invariavelmente quebra a regra.

Memorial do Consumo: O que o consumo representa para você?
Cyrillo: Saber o momento, local e hora certa – mas, como ninguém é de ferro, feriados são sempre bem-vindos.

SOBRE O AUTOR

é jornalista e mestrando do Programa de Pós-Graduação em Comunicação e Práticas do Consumo da ESPM-SP.