Memorial do Consumo

Pedro Porto “O Twitter trouxe o aprendizado da necessidade de se estar aberto às críticas”

Pedro Porto

 

Pedro Porto gosta de novidade. Desde o início da sua carreira ele foi buscando o que havia de inovação na publicidade. Em 2006 já havia criado seu próprio departamento, chamado de projetos especiais, que era como se classificava tudo o que não era anúncio de tv, página de revista ou banner de internet. Hoje Pedro lidera a estratégia de marca do Twitter para a América Latina, uma posição que vive a novidade todos os dias e está no centro da nova relação do consumidor com a publicidade.

 

 

1. Estamos vivendo uma era em que empresas de comunicação aparecem e se tornam gigantescas antes mesmo que o mercado publicitário entenda completamente o que se passa, como é o caso do Twitter. Como trabalhar e criar estratégias em meio a essas transformações, incertezas e velocidade?

 

As empresas, seus produtos e serviços tradicionalmente são criadas e desenvolvidas para resolver necessidades / problemas humanos, que não mudam ou surgem tão rápido como as tecnologias.

As boas estratégias respondem ao propósito das marcas, que deveriam sempre estar ligadas às necessidades humanas. Assim, mesmo que as táticas mudem [formatos, ideias, campanhas, etc] as estratégias deveriam ser capazes de responder a um objetivo claro, estabelecendo os melhores caminhos para ser ou continuar relevante para as pessoas. O Twitter aproxima as pessoas de seus interesses, um propósito relevante há anos, mesmo que tenha sido preciso se adaptar aos formatos e tecnologias diferentes para fazê-lo nos últimos 11 anos.

 

  1. Você tem alguma memória de infância sobre publicidade ou consumo?

 

Me lembro de acreditar desde pequeno que marcas e produtos me traziam mais confiança para me sentir mais preparado e conquistar coisas que me interessavam: jogar melhor com determinado tênis / chuteira, parecer mais interessante com determinada roupa, se sentir mais bem informado lendo determinada revista e assim por diante.   

 

  1. O twitter se tornou uma plataforma importante para o público criticar a propaganda que não gosta. E também temos produtores de conteúdo, e até parte do público, que se incomodam com as problematizações. Como lidar com as críticas ao que era aceitável até pouco tempo atrás?

 

Ouvindo. Como o Twitter é fundamental ao trazer voz a toda e qualquer pessoa: pessoas comuns, políticos, celebridades, esportistas, marcas, para absolutamente todos, isso traz o aprendizado da necessidade de se estar aberto às críticas. Para melhorar seu serviço, seu produto, atendimento e até mesmo tirar insights para criar novas coisas que possam atender melhor a cada pessoa.

 

  1. O seu trabalho já influenciou o que ou a forma como você consome?

 

Bastante. Ao estudar o que está por trás de cada marca e descobrir seu propósito, ao entender se a promessa de cada marca e produto se manifesta em sua comunicação [mais uma prova de seu compromisso com as pessoas e o mundo], cada uma dessas informações acaba por construir [ou desconstruir] a imagem de qualidade e a percepção de quanto cada produto pode me ajudar a resolver questões pessoais, a facilitar minha vida e a torná-la melhor.

 

  1. Como você se vê influenciando o consumo de uma família?

 

Com tranquilidade, seguindo fielmente a crença de que a comunicação e a própria publicidade possuem hoje um novo papel fundamental: a transformação do papel da comunicação de mero canal informativo de novidades em protagonista ativo da transformação da vida das para melhor, com conteúdos e serviços que ajudem as pessoas. Em cada estratégia, ideia, em cada tweet que aproxima as pessoas de seus interesses.

 

  1. O que o consumo representa para você?

 

Uma forma de resolver várias necessidades humanas. Das mais básicas às mais complexas. Dos pequenos problemas diários aos grandes desafios de construção da identidade pessoal. O consumo não resolve tudo e nem deveria, mas é um ótimo canal para se chegar às soluções que respondem necessidades de cada pessoa. melhor ainda se o caminho entre necessidade e solução passar por uma comunicação estratégica, relevante, em que a marca possui valor e papel claro para cada pessoa.

 

SOBRE O AUTOR

é curiosa, adora viajar e perguntar o porquê das coisas. Se formou na ESPM e trabalhou em grandes agências. Hoje atua como redatora, pesquisadora e estrategista independente. É mestranda do PPGCOM-SP