Memorial do Consumo

“Chama o Velho” populariza Velho Barreiro

comunicação e consumoA marca Velho Barreiro, adquirida em 1975 pelas Indústrias Reunidas de Bebidas Tatuzinho 3 Fazendas (IRB), vivia um bom momento no início da década de 80, com vendas de cerca de 900 mil caixas de cachaça por mês. No auge de sua liderança, entre 1982 e 1987, tornou-se sinônimo de cachaça industrializada, de acordo com Cesar Rosa, diretor-presidente da companhia, enquanto veiculava a campanha ‘Até a garrafa é coisa fina”, desenvolvida internamente.

No entanto, o sucesso do slogan “Uma boa ideia”, lançado em 1978 pela Caninha 51, da Companhia Müller de Bebidas, em um momento de pouca movimentação da concorrência na mídia ajudou a dar uma guinada na comunicação da aguardente da IRB. Com a ideia de criar um slogan de fácil assimilação, a equipe de marketing da empresa desenvolveu um bordão que mais tarde passou a figurar no rol das assinaturas publicitárias de uso popular.

“Tínhamos uma posição confortável no mercado, e essa criação interna foi uma forma de tentarmos partir para um slogan popular”, recorda Rosa. O conceito “Chama o Velho que vem coisa boa” foi lançado no final da década de 80 e pretendia popularizar o consumo da bebida em turmas de amigos. Esse foi o mote de muitos comerciais criados posteriormente por Leo Burnett e UpGrade, agências que trabalharam o conceito.

Um dos filmes, por exemplo, mostrava uma roda de amigos em uma mesa de bar disputando quem pagaria a saideira em uma partida de palitinho. Um a um os rapazes foram dando seus palpites até que o último deles, sem a possibilidade de apostar em um bom número – porque praticamente todos já haviam sido escolhidos -, decide chamar o Velho para resolver a questão. Infelizmente, a empresa não dispõe de dados de produção e de criação da campanha, que foi veiculada em várias oportunidades até o início deste século.

A boa aceitação da iniciativa e a penetração do slogan ajudaram no desempenho das vendas, que atingiram um patamar de 800 mil caixas por mês, mas nada que alcançasse o sucesso obtido por outra cachaça do grupo, a Tatuzinho -lançada em 1909 com a fundação da Indústria de Aguardente Tatuzinho, no interior de São Paulo. Nas décadas de 70 e 80, a marca chegou a comercializar 2 milhões de caixas por mês.

Eram comuns filas de espera na porta da fábrica causadas pela falta do produto, e os caminhões chegavam a ficar até oito dias esperando até ser carregados. Um dos agentes desse sucesso foi o jingle ‘Ai, Tatu, Tatuzinho, abre a garrafa e me dá um pouquinho’, também desenvolvido internamente. “Esta sim é a campanha inesquecível da empresa. A marca virou sinônimo de cachaça, as pessoas pediam Tatuzinho’, lembra o diretor-presidente, lamentando o esquecimento do bordão.

Este texto faz parte do livro “Campanhas Inesquecíveis”, publicado pelo Meio & Mensagem, em 2007.

SOBRE O AUTOR

Mestranda do Programa de Pós-Graduação em Comunicação e Práticas do Consumo da ESPM-SP. Graduada em Publicidade e Propaganda pela ESPM-SP.