Memorial do Consumo

Muñoz: “o consumo é uma extensão do que somos”

marco-munozCom 20 anos de carreira construída basicamente em veículos de mídia, Marcos Muñoz assume pela primeira vez um cargo executivo numa agência de propaganda, a Posterscope, do Grupo Dentsu. Confira o papo do publicitário com o Memorial do Consumo:

Memorial do Consumo:  Quando você começou a se interessar por propaganda?
Marco Muñoz: Sempre fui muito curioso e tentava resolver os problemas de formas não convencionais. Após o período escolar, fiz um Curso de Design e Publicidade e foi aí que o lado da criação de estratégias de negócios me chamou a atenção. Logo depois, fui para a faculdade e já entrei no mercado. Minha primeira experiência foi na área de marketing, dando suporte com informações e pesquisas à equipe comercial para argumentar melhor as vendas e resolverem os problemas dos clientes.

Memorial do Consumo:  Qual a sua memória sobre publicidade e consumo na infância?
Muñoz: Lembro que queria comprar tudo! Brinquedo, chocolates, refrigerantes, e ficava perturbando meu pai para trocar de carro toda hora. A publicidade era mais direta e sem muito freios. Hoje em dia, nosso senso de responsabilidade exige que sejamos mais criativos no call to action, ao mesmo tempo em que somos regidos pelas normas do mercado. Isso faz com que o nosso trabalho seja mais desafiante e que nos mantenha ligados nas novidades que as tendências, sobretudo em tecnologia, trazem ao mercado.

Memorial do Consumo:  Suas práticas de consumo ao longo da sua vida influenciam no seu trabalho?
Muñoz: Certamente! Na maioria das vezes, pensamos a partir das nossas experiências e aprendemos com elas. Não temos como mudar a nossa essência cultural. É claro que mudanças de hábitos e costumes podem acontecer, mas para isso, a pessoa deve estar inserida em outro contexto ou ter outra motivação.

Memorial do Consumo:  O seu trabalho influencia suas práticas de consumo?
Muñoz: Até certo ponto. Ter melhores recursos te leva a consumir coisas diferentes, mas acredito que essa “necessidade” já existia. O que pode influenciar mais é que, à medida que as experiências e aprendizados culturais da vida profissional vêm, os hábitos vão sendo melhorados. Por exemplo, uma pessoa que hoje é “sustentável” e preocupada por o meio ambiente, deve ter sido uma criança preocupada com o seu entorno também.

Memorial do Consumo:  Como você se vê influenciando o consumo de uma família?
Muñoz: Acredito muito na formação familiar e que, de certa forma, carregamos um pouco do que nossos pais eram ou queriam ser na nossa história. Hoje, a definição de família tem mudado muito, mas não deixa de existir, seja ela a família tradicional ou aquele círculo que mais influencia tua vida, como seus amigos, por exemplo. Essa é tua família e nela vai apreender a viver em sociedade…o resto são upgrades.

Memorial do Consumo:  O que o consumo representa para você?
Muñoz: Uma extensão do que somos. Nós podemos ser muitos “eus”, com diferentes papeis a representar: pai, profissional, esposo, amigo, etc. Isso, associado ao contexto de onde nos encontramos, nos leva a consumir de formas diferentes.

SOBRE O AUTOR

é jornalista e mestrando do Programa de Pós-Graduação em Comunicação e Práticas do Consumo da ESPM-SP.