Memorial do Consumo

O som do Cosplay

Cosplay de Vocaloid em Fortaleza, 2015. Foto por Caio Yorran.
Cosplay de Vocaloid em Fortaleza, 2015. Foto por Caio Yorran.

Embora ainda não seja tão popular, o cosplay tem se tornado uma prática mais conhecida entre os brasileiros. Eventos como o Comic Con Experience, que ano passado recebeu quase 200 mil pessoas em São Paulo, tem popularizado as imagens dos cosplayers. No caso do CCXP, cuja edição de 2018 está programada para o fim dessa semana, a expansão da prática cosplay para personagens norte-americanos tem contribuído para a sua disseminação, uma vez que personagens americanos são muito mais comuns no mainstream brasileiro. O cosplay tem sido mais retratado na mídia, chegando inclusive à novela das 21h. Mas enquanto a prática visual tem se tornado mais conhecida, há ainda um outro aspecto interessante nesse fenômeno: o som do cosplay.

 

Como parte do projeto de pesquisa Comunicação, consumo e memória: cosplay e culturas juvenis, a doutora e professora do PPGCOM, Mônica Nunes, visitou os eventos Anime Party e Anime Dreams e conversou com alguns participantes. Através da observação, entrevistas no local e entrevistas por email, a pesquisadora analisou as práticas ligadas à música entre cosplayers. Para compreender esse fenômeno, ela contou com os conceitos propostos pela Escola de Tártu-Moscou sobre cultura e memória e nos estudos contemporâneos sobre comunicação, cultura e consumo.

 

Nesses eventos, Mônica investigou a paisagem sonora do cosplay. Ela encontrou desde bandas que se dedicavam a tocar trilhas sonoras dos animês até ao sentido inverso, com pessoas que faziam cosplay de vocaloids. Vocaloids são personagens criados para corporificar, para dar uma representação visual aos “cantores virtuais” que surgiram a partir do software Vocaloid, da Yamaha. O software foi desenhado para servir de back vocals e produz cantos a partir de um enorme banco de vozes humanas eletronicamente modificadas. Porém, os sons produzidos via Vocaloids logo se tornaram a atração principal. As canções cantadas exclusivamente pelo software se tornaram um sucesso tão grande que em seguida foram produzidos personagens – também virtuais – que pudessem dar corpo a esses sons. Alguns personagens Vocaloids se tornaram verdadeiras estrelas da música, dando origem produtos licenciados e servindo de inspiração para performances cosplayers.

 

Enquanto a mídia comumente trata dessas práticas apenas como exóticas, no artigo publicado na Contracampo, revista de comunicação da Universidade Federal Fluminense, o fenômeno é analisado com a ajuda das teorias do campo da comunicação. Paisagem sonora, cena cultural, memória e semiosfera são apenas alguns dos conceitos utilizados pela autora para compreender esse aspecto da subcultura cosplay. O artigo completo Consumo musical nas culturas juvenis: Cosplay, mundo pop e memória pode ser lido em: http://www.contracampo.uff.br/index.php/revista/article/view/272/125

 

A foto que ilustra essa reportagem é de uma cosplayer da Vocaloid Hatsune Miku. A foto foi retirada do album Sana Cosplays 2015 de Caio Yorran, no Pinterest: https://br.pinterest.com/caioyorran/sana-cosplays-2015/

SOBRE O AUTOR

é curiosa, adora viajar e perguntar o porquê das coisas. Se formou na ESPM e trabalhou em grandes agências. Hoje atua como redatora, pesquisadora e estrategista independente. É mestranda do PPGCOM-SP