Memorial do Consumo

Em memória das Mulheres que Fizeram História

Imagem: Reprodução
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Em algum momento aprendemos na escola que há estórias e história. Embora a maior parte das pessoas utilize apenas a palavra história, há uma distinção formal entre as estórias inventadas e a história, a área do conhecimento que registra os acontecimentos relevantes do passado. A estória é inventada e a história é factual, científica. Mas será que ser factual e científica significa que existe somente uma forma de contar a história?

 

A página “As Mina na História” mostra que não. Através de informações factuais, essa página traz para o conhecimento do público a participação de mulheres em eventos marcantes do passado. A história é uma área do conhecimento alinhada com métodos científicos, portanto é comum que se entenda o que é registrado nela como a versão única e universal dos acontecimentos. Mas isso não quer dizer que esta seja “toda” a história. Ao acompanhar a página nos damos conta de quantos personagens poderiam fazer das narrativas que ouvimos para dar sentido ao nosso passado, mas simplesmente não são incluídos na História.

 

Não se trata de questionar os acontecimentos, mas de entender que a memória social é construída. E portanto, existe mais de uma forma de se construí-la. Ao olharmos essas personagens tão importantes – e que sequer conhecíamos – temos uma visão mais completa e mais complexa do nosso passado enquanto sociedade. Também nos faz repensar a imagem que fazemos das mulheres do passado – e até mesmo sobre como a história é registrada, narrada e transmitida para os leigos.

 

As decisões sobre quais fatos e personagens devem ser considerados ao se registrar um fenômeno é uma discussão ampla nas faculdades de história, mas que dificilmente chega aos ouvidos leigos. Entrar em contato com essas personagens tão importantes, mas relegadas ao esquecimento, é também tomar contato com uma relação mais madura com a história enquanto uma disciplina da ciência.

 

Longe de ser uma desqualificação do que sabemos por fato, esse tipo de iniciativa também se baseia em documentos históricos para propor uma complementação ao que sabemos do passado. É usar os métodos científicos para refinar nosso conhecimento. E no final das contas é sobre diversificar olhares sobre um mesmo objeto – tarefa essa que se torna mais fácil quando o grupo de observadores é mais diverso. Sob esse aspecto, As Mina na História é um produto do seu tempo, possível graças à organização e articulação de um corpo mais diversos de pesquisadores e intelectuais no campo da História.

 

Para acompanhar de perto acesse: https://www.facebook.com/asminasnahistoria/ e dentro da opção “seguir” selecione “ver primeiro”.

SOBRE O AUTOR

é curiosa, adora viajar e perguntar o porquê das coisas. Se formou na ESPM e trabalhou em grandes agências. Hoje atua como redatora, pesquisadora e estrategista independente. É mestranda do PPGCOM-SP