Memorial do Consumo

É gol do consumo; conheça os gastos do brasileiro na Copa

Foto: Vinicius Amano
Foto: Vinicius Amano

A cada quatro anos o País para em frente à tevê para assistir à Copa da FIFA de futebol. O mundial estimula a venda de televisores, tanto é que em 2014 o aumento foi de 60% em relação ao ano anterior e já nos dois primeiros meses de 2018 houve alta de 97% em modelos de 65 polegadas, segundo dados da consultoria GFK.

Os consumidores buscam aparelhos de tevê com tamanho igual ou maior a 65 polegadas para ver a seleção com riqueza de detalhes e na melhor definição de imagem e qualidade de som.

Gol de placa no consumo

Itens para torcer para a seleção também têm boa saída, como cornetas, chapéus, perucas e bandeirolas de decoração, vendas que superaram as de outra celebração: o Carnaval, outra data importante para a cultura brasileira.

“Apenas parte da sociedade curte o carnaval; algumas pessoas mais velhas não gostam muito, as crianças também não aproveitam. Já a Copa do Mundo tem algo interessante: ela é democrática. Pessoas de quase todas as idades gostam de futebol, também sem distinção de classes sociais. E isso atrai um público bem maior do que o Carnaval”, explica o comerciante Luiz Antônio Bernardo, dono de uma loja de artigos de decoração em São Paulo, na entrevista à reportagem da CBN.

Bares e restaurantes também vêm seus rendimentos se ampliarem no período do Campeonato Mundial, com a transmissão dos jogos, que com o fuso horário da Rússia, caíram em horário comercial. A estimativa é de que o movimento aumente em 70%, de acordo com dados da Associação Brasileira de Bares e Restaurantes (ABRASEL). Para atrair mais torcedores, um bar em Belo Horizonte está oferecendo pratos típicos dos países que enfrentam a seleção canarinho.

Drible na economia

Houve também queda. Em relação a 2014, a camisa oficial da seleção brasileira perdeu espaço para a azul reserva, que em junho já estava quase esgotada nas lojas. A culpa é da política, pois o “manto sagrado” foi utilizado nas manifestações de 2013 e em prol do impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff em 2015 e 2016.

Não apenas com esses produtos se faz uma Copa, outras indústrias também aproveitam para fazer promoções. Na partida contra do Brasil contra a Sérvia, um bar no Rio se comprometeu a dar um shot de bebida grátis a cada queda do jogador Neymar.

Na mesma linha, viralizou nas redes sociais uma postagem que mostrava um cartaz promocional com os dizeres “Nossos preços Neymaram”.

Quanto mais o time brasileiro avança na competição, maiores são os ganhos para a economia do País. Afinal, estudo conduzido pelo Serviço de Proteção ao Crédito (SPC Brasil) e pela Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL) mostra que três em cada 10 (33%) de micro e pequenos empresários do comércio e serviços preveem que as vendas do setor aumente durante os jogos, com uma previsão de elevação dos lucros em 27%.

Como explicam Douglas e Sherwood no livro “O Mundo dos Bens” de 1979, o consumo é ligado à cultura. No caso brasileiro, o gasto com peças relacionadas à Copa têm total relação com a importância que tem para nós, pentacampeões, o Mundial.

Mais do que isso, como demonstra a obra, há uma outra conotação: os bens que adquirimos nos permitem estabelecer e manter relações sociais; as mercadorias falam por nós. Comprar objetos para vibrar pelo Brasil na Copa não demonstra apenas a paixão pelo futebol, mas permite participar dos encontros em bares e festas, e entrar para o time da torcida verde-amarela. A pátria dividida politicamente, mesmo sendo ano de eleição, na Copa esquece todas as diferença para sermos todos um só coração.

Leia mais sobre a Copa: http://memorialdoconsumo.espm.br/2018/01/05/imaginar-o-pais-em-epoca-de-copa/

SOBRE O AUTOR

Mestranda da ESPM, é pós-graduada em Jornalismo e graduada em Propaganda e Marketing. É empreendedora à frente da agência digital Wonder Comunicação Estratégica, professora de escrita e marketing digital, e proprietária do canal de entrevistas em vídeo Gente de São Paulo.