Memorial do Consumo

A eleição das fake news

Com a proximidade das eleições, as fake news, ameaçam a democracia do País. As notícias falsas já influenciaram os rumos do pleito americano, que levou Donald Trump à presidência, e também parecem ter colaborado para o inesperado Brexit: a saída do Reino Unido da União Europeia. Para evitar que algo parecido aconteça em terras brasileiras, foi lançado nesta quinta (2) no Teatro da Faculdade Cásper Líbero, em São Paulo, o curso online gratuito “Vaza, Falsiane“. Veja abaixo o vídeo de explicação da iniciativa, apresentado pelo youtuber Iberê Thenório, do Manual do Mundo.

Vídeos (inclusive com a participação da monja Coen), textos e imagens compõem o programa de ensino do curso criado pelos professores de jornalismo Ivan Paganotti (Fiam-Faam), Leonardo Sakamoto (PUC-SP) e Rodrigo Ratier (Faculdade Cásper Líbero). Desenvolvido ao longo dos dois últimos anos, após vencerem um edital de financiamento do Facebook e serem incubados pela ONG Repórter Brasil. O objetivo é capacitar o internauta a detectar as informações falsas e não contribuir para o consumo de desinformação, com seu compartilhamento no meio online.

Apresentação de Rodrigo Ratier

Conteúdo:

  1. Como saber se é verdade o que ouvi dizer.
  2. E essa história de que a mídia manipula?
  3. O mundo que existe entre a verdade e a mentira.
  4. O mercado lucrativo de notícias falsas.
  5. Como identificar quem erra sempre – e de propósito.
  6. Como se aprofundar na descoberta de fake news.
  7. Compartilhando notícias like a boss.
  8. Como usar o diálogo para combater as notícias falsas.

Também é possível testar o conhecimento sobre fake news e ainda há uma galeria de memes sobre o assunto para serem repassados.

O Centro Knight da Universidade do Texas, dos EUA, também lançou um Massive Open Online Course (Curso Online Aberto e Massivo, na tradução literal para o português), um MOOC focado no tema: o Como desbancar as ‘fake news’e nunca mais chamá-las por esse nome, que começou no dia 5 de agosto. “Nesta campanha eleitoral que promete ser muito polarizada, este curso é essencial para quem quer conhecer conceitos e ferramentas capazes de separar as notícias enganosas das legítimas”, promete um dos organizadores do curso, Ângela Pimenta, no site da plataforma. Outros nomes por trás são Fábio Gusmão, Bárbara Libório e Pedro Burgos. É possível participar do treinamento até 02 de setembro.

Combate à desinformação com educação

O evento, batizado de“As eleições das Fake News – como combater a desinformação com a educação”, contou com a apresentação dos professores Rodrigo Ratier e Ivan Paganotti, e foi entremeado por duas mesas redondas.

Logo de início foi apresentada a definição atual de fake news. De alguma forma ela sempre ocorreu, na forma de boato, mas oficialmente passou a existir a partir de 2016 com os sites que disseminavam inverdades sobre a candidata à presidência americana Hillary Clinton. As notícias falsas não apenas divulgam boatos, mas o fazem com uma matéria que parece ser jornalística, mas carece da apuração e verificação típicas desse trabalho.

A primeira com a jornalista Laura Capriglione do Jornalistas Livres, Pedro Machado da Procuradoria Regional dos Direitos do Cidadão do MPF, Vitor Marchetti, professor de Políticas Públicas da UFABC e Pablo Ortellado, professor do curso de Gestão de Políticas Públicas da USP.

Mesa redonda evento fake news

Entre os pontos em discussão estiveram a questão de liberdade de expressão que permeia as fake news. Machado, da Procuradoria Regional dos Direitos do Cidadão do MPF, explicou que não deve ser papel do Estado controlar as notícias falsas, pois isso pode acarretar em uma censura. Só se intervém quando a desinformação causou alguma lesão à sociedade.

Outra questão levantada foi a importância do jornalismo ativista e independente, por Laura Capiglione, que comentou sobre cobertura da Mídia Ninja das manifestações de junho de 2013, que cobria o lado dos manifestantes, enquanto a dita “grande mídia” tomava o lado da polícia. “Lugar de fala é importante. Como vamos contar essa história? De que lado?”, salientou a profissional enquanto lembrava que jornais do exterior dizem claramente sua posição política e que as Diretas já foram noticiadas como uma festa do aniversário da cidade de São Paulo pela televisão aberta.

Lembrou-se também que as redes sociais são a segunda fonte de informação dos brasileiros, segundo dados de pesquisa recente. E outro ponto que influi na disseminação dessa desinformação é a polarização política existente atualmente no País, em nossa esfera pública. Fenômeno que levou o professor do curso de Gestão de Políticas Públicas da USP a citar a Poliarquia, conceito de ciência política formulada por Robert A. Dahl.

Em seguida, foi a vez de Leonardo Sakamoto e a professora Pollyana Ferrari (PUC-SP), autora do livro “Como sair das bolhas”, debateram, ambas com mediação coordenada pela professora de Jornalismo da Cásper, Michelle Prazeres. Ao final, todos os convidados se uniram para responder às perguntas da plateia.

resposta perguntas fake news

O curso, com 10 horas de duração, tem certificado de conclusão. Acesse Vaza, Falsiane e comece já.

SOBRE O AUTOR

Mestranda da ESPM, é pós-graduada em Jornalismo e graduada em Propaganda e Marketing. É empreendedora à frente da agência digital Wonder Comunicação Estratégica, professora de escrita e marketing digital, e proprietária do canal de entrevistas em vídeo Gente de São Paulo.