Memorial do Consumo

Com quantas curtidas no Facebook se constrói um político?

Conhece a expressão “não existe almoço grátis”? Pensando nisso, o que levaria uma empresa com fins lucrativos criar e manter uma plataforma de rede social que no momento em que fazemos nosso cadastro avisa: “é grátis e sempre será”.

Facebook política

É sobre isso que trata o artigo “MATERIALIDADES DE PRÁTICAS DE VIGILÂNCIA: Como suas curtidas no Facebook constroem um candidato político” de Maíra Moraes, doutoranda em Comunicação e Sociedade na Universidade de Brasília (UnB).

A verdade é que de alguma forma (ou melhor, de várias formas) remuneramos redes sociais como o Facebook. Cada ação que executamos dentro da plataforma, cada curtida, cada compartilhamento são informações que depositamos em sua base de dados. E sabe o que ele faz com isso? Vende! E vende tão bem que em 2018 foi considerada a quinta empresa mais valiosa do mundo”, explica a pesquisadora.

Vigilância e dados

É sob essa perspectiva, da venda de dados, que a doutoranda olha para o Facebook. “Realizo a pesquisa pelas lentes das práticas de vigilância (o registro de cada clique do usuário) e do modo como essas práticas têm, por meio da opacidade de um lado e legibilidade de outro, integrado o nosso cotidiano como uma extensão de entretenimento, mas cujo fim é transformar em ativos comercializáveis os registros de comportamentos de seus usuários. Para demonstrar meu argumento, descrevo como nossas ações na rede social Facebook são monitoradas, os tipos de dados que geram, como são comercializados pela empresa e como se materializam, ou melhor, como podem se transformar em produtos. Para isso, demonstro o passo a passo de como usar dados fornecidos pela plataforma, o que chamamos de ‘pesquisa de afinidade de público’.

Metodologia

O método de tratamento das informações de Maíra Moraes foi utilizado durante o período pré-eleitoral de 2016 para entender, com base em comportamentos de consumo dos usuários do Facebook, com quais grupos certos candidatos teriam mais alinhamento. para assim, construir realidades por meio de discursos e práticas de planejamento de comunicação: a persona do candidato, sua narrativa junto ao eleitorado.

“Diferentemente do recente caso da Cambridge Analytica, empresa que coletava ilegalmente dados de usuários por meio de aplicativos, esta metodologia utiliza dados gerais, sem identificação pessoal. O que não significa que o Facebook deixa de ser um mistério, uma caixa-preta em que confiamos nossa vida, nosso cotidiano”, finaliza. Leia o artigo completo.

 

SOBRE O AUTOR

Mestranda da ESPM, é pós-graduada em Jornalismo e graduada em Propaganda e Marketing. É empreendedora à frente da agência digital Wonder Comunicação Estratégica, professora de escrita e marketing digital, e proprietária do canal de entrevistas em vídeo Gente de São Paulo.