Memorial do Consumo

O Consumo de Internet no Brasil

Pesquisando sobre o consumo de internet no Brasil acabei me deparando com a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua – PNAD Contínua –, conduzida pelo IBGE. Deparei-me, mais especificamente, com os dados referentes ao Acesso à Internet e à televisão e posse de telefone móvel celular para uso pessoal de 2017. Esta pesquisa traz números instigantes e gostaria de utilizar este espaço para trazer os que mais me chamaram a atenção. Vale dizer que, ao menos neste texto, meu foco recai no consumo de internet.

É interessante que cada vez mais pessoas possuem acesso à internet. Segundo a pesquisa, “em 2016, a Internet era utilizada em 69,3% dos domicílios permanentes do País e este percentual aumentou para 74,9% em 2017” (IBGE). Outro dado que penso complementar essa informação é que 98,7% dos domicílios utilizam o telefone móvel celular para acessar a internet. Penso – e digo isso apenas como hipótese, uma vez que não conduzi pesquisas para comprovar – que a popularização crescente dos smartphones é um dos grandes responsáveis por esse aumento no percentual de pessoas conectadas.

O que corrobora para a comprovação desta hipótese é que “de 2016 para 2017, nos domicílios nos quais havia utilização da Internet, o percentual dos que usavam banda larga móvel (3G ou 4G) passou de 77,3% para 78,5%” (IBGE), crescimento maior que os 2,1% que a banda larga fixa teve.

O que é alarmante, contudo, é ver que o consumo de internet ainda está fortemente marcado por diferenças de idade e de grau de instrução: ainda é possível verificar que a internet está mais inserida nas vidas das pessoas mais jovens e com maior grau de instrução. Isso faz pensar nas discrepâncias no acesso à informação, como também tira um pouco a imagem muitas vezes idealizada de que a internet conseguiu ligar todas as pessoas do mundo.

Por falar na não-utilização da internet, por fim, o motivo que mais afasta as pessoas da internet é justamente a falta de informação: não saber usar à Internet é o motivo que 38,5% dos não usuários deram para continuar offline. Esse número é seguido de falta de interesse em acessar à Internet (36,7%) e o preço da conexão (13,7%). Novamente: esses dados tiram a aura – muitas vezes fantasiosa – de que a internet é, hoje, 100% igualitária de democrática. Os dados do IBGE mostram que ainda há, sim, muita gente que não participa da rede – aproximadamente  54.321.000 de brasileiros com mais de 10 anos – e que a desgualdade educacional é o que mais impede desta democracia online ser um sonho mais palpável.

Fonte: https://biblioteca.ibge.gov.br/visualizacao/livros/liv101631_informativo.pdf

SOBRE O AUTOR

é bacharel em Comunicação Social e mestrando em Comunicação e Práticas de Consumo pela ESPM, além de ser apaixonado por tecnologia, jogos, filmes e tudo que envolva o universo nerd.