Memorial do Consumo

Por quanto tempo você jogaria um jogo?

Recentemente me deparei com com um vídeo no YouTube do canal Great Big Story (link no final do texto), que apresenta um homem, Robert Wardhaugh, que vêm jogando o mesmo jogo por mais de 35 anos. E o mais investigante: o jogo ainda não parece estar nem perto de acabar.

O jogo em questão é uma aventura de Dungeons and Dragons, o primeiro – e mais famoso – sistema de RPG. Como pode uma “partida” de RPG durar tanto? Por conta da dinâmica do jogo: nele uma pessoa, o chamado Mestre, cria uma história e depois narra ela para outros jogadores. Estes, interagem com a narração, dizendo o que seus personagens – previamente criados – fazem.

Um exemplo rápido para exemplificar poderia ser:

Mestre: Vocês estão no meio de uma floresta e escutam um grito e um rosnado, o que vocês fazem?

Jogador 1: Eu vou em direção do grito!
Jogador 2: Eu fujo!

Mestre: Jogador 1, você vê um tigre atacando um camponês, o que você faz?

Essa história poderia seguir por muito tempo. No caso de Robert, ela já se prolonga por mais de 35 anos. O motivo pelo qual ele continua desenvolvendo a mesma aventura também é interessante, para ele: “Eu sempre fui muito determinado pelas minhas amizades. Digo, esse é um caminho que eu encontrei para manter meus amigos por perto. Eu soube desde sempre que se eu criasse um jogo bom o sufciente – melhor que videogames e melhor que qualquer outra coisa – eles continuariam vindo.

A imagem que Robert traz dos jogos, como algo que tem o poder de unir as pessoas, é diferente da imagem geralmente retratada pelos meios de comunicação, que tratam o jogo como algo violento, viciante.

O que ele mostra, ainda, é uma forma diferente de se consumir o jogo, que evidencia o potencial de formar grupos, questão já discutida por Johann Huizinga, nos anos 1930.

SOBRE O AUTOR

é bacharel em Comunicação Social e mestrando em Comunicação e Práticas de Consumo pela ESPM, além de ser apaixonado por tecnologia, jogos, filmes e tudo que envolva o universo nerd.